"Contactámos a FritsJurgens muito cedo, porque sabíamos que queríamos portas pivotantes. Em possibilidades e qualidade, era a escolha óbvia."
No Tafelberg, em Blaricum, o ponto mais alto do 't Gooi, Max Verhoeven, do Studio Massimo, construiu um escritório que procura não interromper nada. Ergue-se sobre uma charneca protegida de rochas, musgo e árvores baixas, sobre a pegada de um estábulo que ali existiu. Nem mais largo, nem mais alto. O edifício ocupa o lugar do estábulo e depois recua para deixar passar a paisagem.
Verhoeven projeta segundo uma só regra: a forma segue a natureza. Passou muito tempo no local antes de desenhar fosse o que fosse, caminhando entre as rochas e o musgo, observando como as árvores se erguiam e como a luz se movia sobre a charneca. A maior parte do que reparou acabou no edifício.
Assim, a paisagem chega até aos rodapés e prossegue por cima do telhado. A fachada é de casca de choupo. Por dentro, toda a estrutura acima da cabeça é de madeira, pelo que se entra em algo próximo de uma árvore. As aberturas estão dispostas de modo a que cada vista emoldure a charneca como um quadro, e a natureza lá fora nunca abandona totalmente a sala.
Por dentro, o ambiente suaviza-se. Verhoeven trabalhou com curvas em vez de cantos, e elas seguram a luz do dia de uma forma que as paredes retas nunca conseguem. Percorre-se o edifício ao longo de uma linha natural e evidente, e as salas abrem umas para as outras em vez de pararem em arestas duras.
Portas que se afastam
O edifício desenvolve-se ao longo de um percurso contínuo, e as portas que o pontuam não devem dar nas vistas. Abertas, quase não estão lá.
"Assim que uma porta está aberta, não se veem de todo as dobradiças. Dá a sensação de um percurso contínuo através do edifício."
O Studio Massimo desenhou uma porta pivotante para a entrada e mais treze no interior, na maioria de vidro com caixilho em Red Grandis, fabricadas pela Broporte. Alinham-se com tal precisão que a vista corre uns bons trinta e quatro metros, de uma ponta à outra do edifício, e a luz do dia chega até ao fim. Uma posição de fixação a 90 graus mantém cada porta perfeitamente direita quando está aberta.
Isso só funciona se a dobradiça desaparecer mesmo, e foi aí que entrou a FritsJurgens. Os pivôs System M+ ficam dentro da porta e do chão, sobre uma placa de teto e de chão de apenas 40 por 80 milímetros, pelo que uma porta aberta se lê como parte da parede, e a parede como parte do percurso.
Um escritório exige de uma porta mais do que uma habitação: tem de lidar com o som. As salas precisam de se fechar umas das outras, e uma porta pivotante não é a solução óbvia para isso. Por isso, a primeira coisa que o Studio Massimo e a FritsJurgens resolveram em conjunto foi como manter a porta pivotante e mesmo assim obter uma separação acústica a sério. A resposta foram vedações retráteis em cima e em baixo de cada porta, combinadas com rebaixos. Fechada, a porta comporta-se como uma parede silenciosa e maciça. Aberta, comporta-se como se não existisse.
Porquê a FritsJurgens?
"O que mais gosto nas portas pivotantes FritsJurgens é a facilidade com que se usam. Mesmo de mãos ocupadas, um empurrão suave abre-as e ficam abertas. Um pequeno toque com o pé e a porta fecha-se de novo, devagar. É a menor barreira possível quando ainda assim é preciso uma porta."
É a esta última frase que voltamos sempre. Uma porta é, por definição, uma barreira, mas não tem de o parecer. Um sistema FritsJurgens suporta todo o peso da porta fora da vista e deixa-a mover-se com a ponta de um dedo, o que deixa o arquiteto livre para fazer a porta tão grande, tão pesada ou tão silenciosa quanto o projeto exigir.
Em Tafelberg, era exatamente essa liberdade que estava em jogo. A porta tinha de se fundir num percurso, aguentar o som e mesmo assim abrir-se com um ombro quando alguém a atravessa de mãos ocupadas. E abre. Ajudou que o Studio Massimo tenha ligado cedo, quando a dobradiça ainda era algo à volta do qual se podia conceber o edifício, em vez de o instalar no fim.
Em 2026, essas portas foram nomeadas Melhor Porta Pivotante de Interior no FritsJurgens Best Pivot Door Contest, um prémio partilhado pelo Studio Massimo e pela Broporte, que as fabricou. Um júri independente que incluía a Arup, a Bjarke Ingels Group, a Foster + Partners, a KAAN Architecten e a Zaha Hadid Architects apontou exatamente o que Verhoeven se propusera: a arquitetura, a execução e o movimento silencioso, tudo a encaixar.